Hold
Quanto dura um segundo? O teu sentido do tempo
Fecha os olhos e espera o que te parecerem dez segundos; depois confirma no relógio. Repete algumas vezes e as respostas vão espalhar-se, umas vezes acima, outras abaixo. Não há um relógio a fazer tiquetaque dentro da cabeça. Há um sentido do tempo que é bom, mas tem ruído, e um ruído que se consegue prever.
Quanto maior a espera, maior o erro
Os erros crescem com a duração do que estás a medir. Se costumas falhar por uma décima de segundo numa espera de um segundo, conta falhar por cerca de um segundo numa de dez. Os investigadores chamam-lhe propriedade escalar: é a lei de Weber, a mesma que rege a forma como avaliamos pesos e quantidades, aplicada ao tempo. Verifica-se bem em muitas tarefas, mas não em todas; John Wearden e Helga Lejeune reuniram os casos em que falha.
É por isso que o Fively pontua o Hold em proporção do tempo real: falhar meio segundo num Hold de 15 segundos é muito melhor do que falhar meio segundo num de um segundo.
O curto parece longo, o longo parece curto
Em 1868, o fisiologista alemão Karl von Vierordt reparou que as pessoas sobrestimam os intervalos curtos e subestimam os longos, com uma zona intermédia avaliada quase sem erro. É a chamada lei de Vierordt. Estudos mais recentes sugerem que é sobretudo uma atração para o meio das durações que se estão a avaliar, e que a forma como a experiência é montada muda a força do efeito.
As rondas Hold vão de cerca de um terço de segundo a 15 segundos, por isso conta com essa atração. Nas muito curtas, vais tender a segurar demais; nas longas, a largar cedo demais.
Contar ajuda, dentro de limites
Contar de cabeça, “mil e um, mil e dois”, torna a medição mais consistente: os estudos encontram menos diferença entre tentativas quando as pessoas contam. Mas não resolve tudo. Num estudo com esperas de 10 a 90 segundos, contar tornou as pessoas mais consistentes, mas não mais certeiras, e nas esperas mais longas passavam do tempo.
A solução é conheceres o teu ritmo. Conta com um cronómetro algumas vezes, até o teu “um” ser mesmo um segundo.
Como acertar mais no Hold
- Treina o ritmo da contagem com um cronómetro.
- Começa a contar no instante em que carregas, nem antes nem depois.
- Nos Hold muito curtos, larga um pouco antes do que te parece; nos longos, um pouco depois.
Fontes
- Lejeune, H., & Wearden, J. H. (2009). Vierordt’s The Experimental Study of the Time Sense (1868) and its legacy. European Journal of Cognitive Psychology, 21(6), 941–960. doi:10.1080/09541440802453006
- Wearden, J. H., & Lejeune, H. (2008). Scalar properties in human timing: Conformity and violations. Quarterly Journal of Experimental Psychology, 61(4), 569–587. doi:10.1080/17470210701282576
- Glasauer, S., & Shi, Z. (2021). The origin of Vierordt’s law: The experimental protocol matters. PsyCh Journal, 10(5), 732–741. doi:10.1002/pchj.464
- Grondin, S., Meilleur-Wells, G., & Lachance, R. (1999). When to start explicit counting in a time-intervals discrimination task: A critical point in the timing process of humans. Journal of Experimental Psychology: Human Perception and Performance, 25(4), 993–1004.
- Thönes, S., & Hecht, H. (2017). Counting does not improve the accuracy of long time productions. Attention, Perception, & Psychophysics, 79, 2576–2589. doi:10.3758/s13414-017-1407-5